Imortalidades
Reunindo microensaios finamente articulados que transitam do pensamento à literatura e da narrativa à reflexão, Imortalidades analisa os méritos e limites da busca pela vida eterna.
Pode a morte ser vencida? Tudo que vive se aferra à vida. O desejo de perenizar-se, nesta ou em outra vida, é a continuação do instinto de sobrevivência por outros meios. Religiosos ou seculares, os projetos e vislumbres de vida eterna remontam à mais antiga ancestralidade do animal humano e permanecem vivíssimos em nossos dias. Como se manifesta na experiência humana, em diferentes épocas e culturas, a ambição de transcender à transitoriedade do corpo e aos caprichos do acaso? Como buscamos projetar a nossa existência para além da nossa finitude? O que é feito de quem se foi? E o que podem nos dizer a filosofia, a ciência e as religiões face ao doloroso enigma da morte, que da vida o nó desata? O tema central de Imortalidades não é a morte, mas a afirmação da vida o desejo de ser para além de si.
ARTIGO
Imortalidades
Hélio Schwartsman
Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de “Pensando Bem…”
Novo livro de Eduardo Giannetti da Fonseca esmiúça as possibilidades seculares e religiosas de transcender a morte
“Imortalidades”, o mais recente livro de Eduardo Giannetti da Fonseca, é muito bom. Trata do que possivelmente é o tema mais relevante que existe —a vida como a experimentamos é tudo o que há ou podemos transcendê-la?— e o faz com erudição, rigor e arte.
Antes de continuar, o alerta que costumo lançar quando o autor do livro que resenho é meu amigo. Sempre tento ser objetivo, mas a própria definição de amizade já embute uma boa dose de benevolência. Ciente disso, cabe ao leitor aplicar os descontos que julgar necessários.
“Imortalidades” consiste de 235 microensaios —forma a que Giannetti parece ter aderido definitivamente— que podem ser lidos de modo mais livre do que um texto corrido. Neles, o autor traça uma radiografia panorâmica das várias imortalidades que podemos conceber e as destrincha, recorrendo à ciência, à filosofia e à literatura.
Giannetti começa com a mais óbvia das imortalidades, que é a que atingimos ao não morrer. Ele discute as possibilidades de driblar a morte por meio de avanços tecnológicos (ou de ao menos prolongar bastante nossas existências) e examina as implicações psicológicas e, por que não dizer, metafísicas disso.
Outras imortalidades retratadas são a dos religiosos (as várias versões da vida post-mortem), a dos que buscam perenizar-se através de realizações terrenas (obras, glória, descendência etc.) e aquelas que podemos vislumbrar ainda que só muito brevemente com o auxílio de drogas, meditação e mesmo das experiências de quase morte.
Cada uma das quatro partes do texto começa objetiva e impessoal, mas, nos parágrafos finais, Giannetti vai confessando a sua posição pessoal em relação ao tema e, ao fazê-lo, nos convida a também nos posicionarmos.
Você, leitor, é um imortabilista ou um mortabilista, isto é, gostaria de viver para sempre ou pensa que é justamente a duração limitada de nossas vidas que lhes dá beleza e significado? As melhores respostas são sempre menos óbvias do que clama nosso instinto de sobrevivência.
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2025/05/imortalidades.shtml
‘Imortalidades’: Eduardo Giannetti reflete sobre limites da busca pela vida eterna em novo livro
Editora Companhia das Letras
Data da publicação 20 maio 2025
Edição 1ª
Idioma Português
Número de páginas 432 páginas
ISBN-10 8535940766
ISBN-13 978-8535940763