Edgar Allan Poe: Contos de ficção científica
Mestre do macabro. Corifeu dos cantos góticos. Visionário. Rigoroso esteta. Demoníaco. Há mais de um século, nós nos perguntamos: quantos Edgar Allan Poe cabem em Edgar Allan Poe? Conhecido por ter escrito os primeiros contos policiais da literatura e por ser um dos criadores das histórias de horror, o autor exibe nesta esta antologia duas facetas menos exploradas de sua obra: a ciência e o bom humor.
Nestes contos – compilados e cuidadosamente comentados por Martha Argel e Humberto Moura Neto –, visões do futuro, viagens extraordinárias e aparatos tecnológicos se misturam a especulações sobre as fronteiras da vida e da morte. E o humor, às vezes malévolo, às vezes debochado, se encontra em muitas destas narrativas, conferindo a elas um sabor estranho e divertidíssimo.
Não restam dúvidas de que Poe é um dos inventores da moderna ficção científica, ocupando seu lugar de direito ao lado de autores como Jules Verne ou H. G. Wells.
“Poe construiu as primeiras pontes entre a imaginação e a ciência. Mostrou que a literatura podia olhar para o desconhecido não apenas com medo, mas com curiosidade e rigor.”
Isaac Asimov
“Edgar Allan Poe não foi apenas o mestre do fantástico e do macabro. Ele também lançou as bases da ficção científica moderna. Seus contos científicos estão cheios de previsões surpreendentes e de uma imaginação lógica que poucos conseguiram igualar.”
Jules Verne
Edgar Allan Poe é o pioneiro da ficção científica
Edgar Allan Poe, sempre atento ao clima de sua época, capitalizou o fascínio e, às vezes, a credulidade dos leitores, com grandes contos de fantásticas viagens de balão e feitos hipnóticos. Maravilhosas descobertas científicas e invenções tecnológicas surpreendentes despertaram a imaginação dos escritores do século XIX. Um novo gênero literário surgiu à medida que os escritores se debatiam com as ideias e os pontos de vista de uma sociedade em rápida transformação.
As aventuras incomparáveis de Hans Pfall
Em “As aventuras incomparáveis de um certo Hans Pfaal”, por exemplo, Poe conta a história de um empobrecido consertador de foles que escapa de seus credores construindo um balão e voando para a lua, enquanto em “Mellonta Tauta” (traduzido como “essas coisas estão no futuro”), Poe satiriza a sociedade do século XIX do ponto de vista de um balonista no ano de 2848.
Em 1844, o New York Sun chegou a pregar uma peça em seus leitores ao apresentar a história de Poe sobre um “balão de direção” que cruzou o Oceano Atlântico no “período incrivelmente breve de três dias” como se fosse um evento real. O artigo anunciava: “O grande problema está finalmente resolvido! O ar, assim como a terra e o oceano, foram subjugados pela ciência e se tornarão uma rodovia comum e conveniente para a humanidade.”
Os fatos do caso de M. Valdemar
As histórias de Poe mais uma vez enganaram o público com “Os Fatos no Caso de M. Valdemar”, em que um homem é colocado em transe durante as dores da morte. Poe se inspirava diretamente nas hipóteses do médico F. A. Mesmer, que usava o “mesmerismo” — semelhante à hipnose — para tratar seus pacientes.
A história foi escrita de forma tão realista que muitos leitores não tinham certeza se era ficção ou não. Quando um leitor perguntou a Poe se a história era uma farsa, ele respondeu, brincando: “‘Farsa’ é precisamente a palavra adequada para o caso de M. Valdemar… algumas poucas pessoas acreditam nela — mas eu não — e você também não.”
Ambivalência em relação à ciência
Embora fascinado pelos avanços da ciência e da tecnologia, Poe duvidava do progresso da humanidade por meio da ciência. Poe não queria que a intuição criativa fosse sacrificada em nome do raciocínio científico. Ele acreditava que o pensamento científico verdadeiramente criativo exigia a imaginação intuitiva de um poeta. Quando um amigo comentou sobre o avanço da humanidade em direção à perfeição, Poe respondeu que “o homem agora é apenas mais ativo, não mais sábio, nem mais feliz do que era há 6.000 anos”.
Apesar de sua ambivalência em relação à ciência, a experimentação de Poe com os temas da relação do homem com o universo o estabeleceu claramente como um dos primeiros escritores de ficção científica. Mais tarde, escritores famosos de ficção científica como Júlio Verne, Arthur C. Clarke e Isaac Asimov exploraram esses mesmos temas.
https://www.nps.gov/articles/poe-sciencefiction.htm

Sobre o Autor
Edgar Allan Poe (1809–1849) foi um escritor, poeta, editor e crítico literário norte-americano, conhecido por suas obras de terror, mistério e ficção policial. Órfão ainda criança, teve uma vida marcada por dificuldades financeiras, perdas e problemas com alcoolismo. É considerado um dos mestres da literatura gótica e pioneiro do conto policial e científico. Suas obras mais famosas são “O corvo”, “O coração delator” e “A queda da Casa de Usher”. Morreu de forma misteriosa, aos 40 anos.
Martha Argel é bióloga, doutora em ecologia e especialista no estudo de aves silvestres. Como autora e/ou colaboradora, publicou cerca de trinta livros, entre técnicos, didáticos e ficcionais. Entre eles estão O vampiro antes de Drácula, em parceria com seu marido Humberto Moura Neto, e dois volumes da série Guias de Campo WCS Aves do Brasil. Atualmente, atua como tradutora e dedica-se à promoção da atividade de observação de aves.
Humberto Moura Neto é biólogo, formado pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, trabalhou como professor de inglês e revisor de textos. Fez mestrado em biologia marinha na Universidade Federal Fluminense e foi professor substituto de zoologia na Universidade Federal de Vitória. Trabalha com tradução de livros e artigos científicos.
Editora Editora Aleph
Data da publicação 24 julho 2025
Edição 1ª
Idioma Português
Número de páginas 360 páginas