Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil

Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil

(RELEASE)

“Uma obra corajosa, necessária e urgente da premiada jornalista Ana Paula Araújo

Por que tantas mulheres ainda são agredidas dentro de suas próprias casas? Por que o Brasil, mesmo com leis avançadas, continua entre os países com mais casos de violência doméstica e feminicídio? Por que tantas vítimas ainda têm medo ou vergonha de denunciar seus agressores?

Após o impacto de Abuso, livro em que investigou com profundidade a cultura do estupro no Brasil, a jornalista Ana Paula Araújo volta seu olhar à violência doméstica  um crime silencioso, devastador e, infelizmente, cotidiano. .

Ao percorrer todas as regiões do país, Ana Paula ouviu vítimas, agressores, familiares, profissionais da saúde e representantes do sistema judiciário. Com sensibilidade e rigor jornalístico, ela traça um retrato contundente da realidade enfrentada por milhares de brasileiras. Casos emblemáticos, como o de Maria da Penha  cuja história deu origem à lei que hoje combate a violência doméstica no Brasil  o do DJ Ivis flagrado por câmeras agredindo a própria companheira  e a luta por justiça da família de Elisa Samudio a jovem assassinada pelo goleiro Bruno, com quem tinha um filho  demonstram como, mesmo com uma legislação que serve como referência em todo o mundo, o abismo entre a teoria e a prática ainda persiste no dia a dia das brasileiras. .

Agressão revela todas as facetas da violência de gênero: física, psicológica, sexual, institucional e virtual. Mostra como ela atinge mulheres de todas as idades, classes sociais e regiões, e aponta os desafios que ainda precisam ser enfrentados para que a proteção à mulher seja, de fato, efetiva. 
Corajoso, urgente e necessário, Agressão é um chamado à ação e à consciência de toda a sociedade. Um livro que precisa ser lido e debatido.”

 

‘A culpa nunca é da vítima’, diz Ana Paula Araújo, que lança livro sobre violência doméstica

Em publicação, jornalista e apresentadora do ‘Bom dia Brasil’ traça painel alarmante: ‘O primeiro sinal de que algo de muito errado está acontecendo no relacionamento é a mulher sentir medo do parceiro’

Por  Marcia Disitzer

Em algumas passagens do livro “Agressão: a escalada da violência doméstica no Brasil” (ed. Globo Livros), Ana Paula Araújo, de 53 anos, tece comentários nos quais, de alguma maneira, se inclui. “Estou acostumada a reportar as histórias dos outros. Porém, me expus um pouco para dizer que sei do que estou falando. Passei por muitas situações de enfrentamento do machismo no dia a dia”, ressalta a apresentadora do “Bom dia Brasil”, da TV Globo. A publicação já está à venda e terá lançamento na Bienal do Livro. Ana Paula participa, na sexta-feira, da mesa oficial “O perigo mora ao lado”, no Palco Apoteose Shell, ao lado das atrizes Marjorie Estiano e Isabel Fillardis, com mediação de Flávia Oliveira.

Não é a primeira vez que a carioca se debruça sobre a violência de gênero. Em 2020, lançou “Abuso”, sobre a temática do estupro. Em 2021, saiu novamente em campo. “Passei a falar com juízes, promotores, delegados e psiquiatras, para chegar a essas pessoas. São mulheres do Brasil inteiro, de idades diversas, de todas as classes sociais, com e sem redes de apoio”, diz.

A seguir, os melhores trechos da entrevista feita num café na Zona Sul do Rio.

Você noticiou na TV algumas dessas histórias que estão no livro?

Sim, várias. Uma delas foi o assassinato de Eliza Samudio (em 2010, a modelo foi assassinada. Seu corpo desapareceu. Aos 25 anos, foi considerada morta após suspeitos, como o ex-goleiro Bruno Fernandes, assumirem o crime). Mas, naquela época, não havia consciência do que é violência de gênero, e estamos falando de apenas 15 anos atrás… Eliza e sua índole foram muito julgadas, como se alguma coisa pudesse justificar um crime tão brutal. Em 2021, noticiei a morte da juíza Viviane Vieira do Amaral, assassinada pelo ex-marido, Paulo José Arronenzi, a facadas, na frente das filhas, à luz do dia, na Barra da Tijuca.

Qual foi a sua intenção ao retratar mulheres de diferentes idades e contextos?

Revelar que são diversas as prisões nas quais elas estão inseridas. Para mim, a pior delas é a emocional. Claro que a dependência financeira pesa demais. Porém, a emocional faz com que as mulheres acreditem que podem resolver aquela situação e que são culpadas, de alguma forma, por uma violência que não parte delas. A culpa nunca é da vítima.

O que mais te impressionou nas conversas?

Todos os encontros foram muito difíceis. Foram entrevistas longas. Essas mulheres têm a necessidade de serem ouvidas sem serem julgadas, sem questionamentos. Algumas me surpreenderam pela coragem. Foi o caso de Thainá, de Barretos (SP). Ela namorou por apenas duas semanas um “amigo”, chamado Evandro. Ela o conhecia há bastante tempo e ele, inclusive, frequentava a casa da sua família. Quando ele teve a primeira atitude violenta, Thainá terminou o relacionamento e não cedeu às investidas. Ela o bloqueou e tudo que fez foi fugir. Mas Evandro a esperou na entrada do seu trabalho, uma imobiliária, e a esfaqueou quase até a morte. Ela não tem medo dele. Continua morando na mesma cidade, mesmo com boatos de que ele pretende matá-la ao sair da prisão.

Como enxerga os homens das novas gerações?

Quero ser otimista. Acho que, como sociedade, estamos melhorando. Mas há ainda muito a caminhar. Percebo o mesmo machismo entre os adolescentes, a mesma violência de gênero. Vejo meninos de classe média fazendo montagens, forjando nudes com fotos das colegas. São muitos os crimes virtuais. Os pais, quando se deparam, não reconhecem os próprios filhos. Esses adolescentes se consideram “donos das meninas”. A dominação e o poder, que estão na raiz da violência contra a mulher, são efeitos do machismo. Por isso, gosto tanto de saber que os homens estão lendo meus livros.

Você incluiu um caso de violência patrimonial. qual é a importância de se falar sobre isso?

Há cinco tipos de violência contra a mulher: física, sexual, psicológica, moral e patrimonial. A Cláudia, outra personagem do livro, é uma psiquiatra que passou pela patrimonial. Era coagida pelo marido a fazer empréstimos. Ele a abandonou e ela tenta até hoje pagar a dívida. É uma realidade mais comum do que se pensa.

Há luz no fim do túnel?

A luz que vejo é continuar a falar sobre esse assunto. O primeiro sinal de que algo de muito errado está acontecendo num relacionamento é a mulher sentir medo do parceiro, pisar em ovos. O meu conselho é sempre pedir ajuda. Da polícia, quando estiver correndo riscos, e da família e dos amigos. É muito difícil sair dessa situação sozinha. É preciso, sim, pedir ajuda.

 

 

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