PAUL MCCARTNEY: O LEGADO VOLUME 1: 1969-73

PAUL MCCARTNEY: O LEGADO VOLUME 1: 1969-73

O MERGULHO MAIS PROFUNDO JÁ FEITO NA VIDA CRIATIVA DE PAUL MCCARTNEY DEPOIS DOS BEATLES

Neste primeiro volume de uma série, Paul McCartney: O Legado (Volume 1 – 1969-73) captura a vida de Paul McCartney nos anos imediatamente após a dissolução dos Beatles, um período em que McCartney se recriou como homem e músico. Reunindo centenas de entrevistas, extensa pesquisa de campo e milhares de documentos nunca antes vistos, Paul McCartney: O Legado é uma exploração profunda e reveladora da vida criativa e pessoal de McCartney além dos Beatles.

Quando Paul McCartney emitiu um comunicado à imprensa em abril de 1970 anunciando que a banda mais amada do mundo, os Beatles, havia se separado, ninguém poderia prever que o próprio McCartney teria uma das carreiras solo de maior sucesso da história da música. No entanto, nos anos após a dissolução dos Fab Four, Paul McCartney se tornou uma lenda por direito próprio. Agora, o jornalista e historiador mundialmente renomado dos Beatles, Allan Kozinn, e o premiado documentarista Adrian Sinclair registram em technicolor os anos cruciais de McCartney de 1969 a 1973, enquanto ele se recriava imediatamente após a separação dos Beatles – um período em que, recém-casado e com uma família crescente, ele venceu a depressão e a dúvida, formou uma nova banda, Wings, e gravou cinco álbuns memoráveis, culminando no sucesso triunfante, Band on the Run.

Primeira parte de um conjunto de vários volumes, O Legado documenta um momento crucial na vida de um homem cujo legado se torna cada vez mais relevante, à medida que sua influência na música e na cultura pop permanece tão relevante quanto sempre. É a primeira biografia verdadeiramente abrangente e a exploração mais detalhada da vida criativa de McCartney além dos Beatles já realizada.

 

ARTIGO 

O dia em que Paul McCartney me ligou – e o novo livro sobre ele que já é um dos meus preferidos

‘McCartney: O Legado Volume 1 (1969-1973)’ está chegando às livrarias e conta a história do cantor e compositor nos anos imediatamente após a dissolução dos Beatles

“It’s Sergiôu there?” Passados 15 anos, essa indagação ainda me atormenta. De um lado da linha está Sir James Paul McCartney, o maior popstar vivo do século 20, que tinha apresentações marcadas no País e decidiu conceder algumas entrevistas promocionais. Do outro, o jornalista musical – ainda que com uma boa experiência –, mas que por alguns momentos se transformou novamente no menino de cinco anos que assistiu, na extinta TV Tupi, a Os Reis do Iê-Iê-Iê (1964), retrato do cineasta Richard Lester sobre os primeiros anos da Beatlemania. Mais do que qualquer outra manifestação artística, este filme foi o ponto de partida para que eu me apaixonasse de vez pelo mundo da música.

A conversa aconteceria, segundo a assessoria de imprensa da turnê, “entre 10h e 14h” – o que fez com que eu me postasse ao lado do aparelho telefônico como se fosse um adolescente das produções hollywoodianas de outrora, à espera da ligação da amada. Chamada que foi feita pelo próprio Paul, sem intermediação de sua equipe (em geral, o contato é executado pelo escritório, que coloca o artista em linha com aquele que vai entrevistá-lo, corta qualquer pergunta indiscreta e avisa que o tempo está se esgotando). No caso de Paul, ele faz questão de telefonar e avisar que a sua hora terminou – pelo menos eu disse que a alegria do meu filho, então um bebê, era escutar Coming Up no aparelho de som.

Paul McCartney, a exemplo de seus contemporâneos, é um mestre na arte da entrevista. Falou tanto e por tanto tempo e sobre tantos assuntos que dribla qualquer questão que possa achar desconfortável (um exemplo: durante uma participação no programa de Larry King, quando este perguntou sobre como se mantinha tranquilo em meio a turbulências em sua vida pessoal, Paul simplesmente sapecou e disse “Simples. Não falo sobre o assunto.”).

A nossa conversa, então, transcorreu sem atropelos, onde comentou desde que se sentia obrigado a cantar todas as músicas no tom original que foram compostas – e quem assistiu às suas últimas performances sabe que elas exigem um esforço sobre-humano – e desmentiu o apelido de “Beatle discreto” dado a George Harrison. “Na verdade, ele era o mais falante e mais engraçado de nós quatro”, revelou.

No jargão jornalístico, o que acabei de fazer se chama “nariz de cera”, uma longa introdução (três parágrafos!) para anunciar o verdadeiro motivo da coluna: meu encantamento com McCartney: O Legado Volume 1 (1969-1973), de Allan Kozinn e Adrian Sinclair (Editora Belas Letras; tradução de Henrique Guerra; 864 páginas; R$ 199), que foca o período em que Paul passa pelos seus últimos momentos ao lado dos Beatles até o sucesso de Band on the Run, seu disco de 1973 – até hoje um dos cavalos de batalha de sua carreira. O molde para a realização da obra foi The Beatles Tune In – Todos Esses Anos, do historiador inglês Mark Lewisohn, um dos maiores estudos sobre o quarteto inglês em todos os tempos.

Beatlemaníaco que sou, devorei Beatles Tune In e várias outras obras a respeito de Sir Paul – as minhas favoritas são Paul McCartney: A Biografia, de Philip Norman, Man on the Run: Paul McCartney nos Anos 1970, de Tom Doyle, e A Batalha pela Alma dos Beatles, de Peter Doggett, que unem o rigor biográfico com tentativas, bem-sucedidas ou não, de mostrar o ser humano por trás das canções que criou.

Mas Paul McCartney: O Legado a partir de agora figura entre as obras prediletas do meu cantor e compositor favorito. Ele combina o rigor da apuração – tanto de fatos quanto de sessões de gravação – com uma análise aprofundada do processo de amadurecimento pelo qual Paul estava passando.

Kozinn, adorador de Beatles e conhecido pelo seu gosto eclético (vai do universo erudito ao pop), entrevistou Paul algumas vezes – menos do que gostaria, diga-se – e lança mão de uma teoria interessante: McCartney, geminiano raiz, se divide em “ele” e “eu”. O primeiro, o rockstar simpático e sorridente, carismático até a medula. O “eu” seria o Paul no seu íntimo, que por vezes esteve a um passo da depressão. O ex-Beatle vai, portanto, do gênio criativo por trás das principais obras do quarteto ao sujeito que se enfurnou numa fazenda na Escócia, passou dias à base de uísque e cigarros, digamos, “artísticos”, e despejou um balde de lixo de cozinha e dejetos de cavalo num fotógrafo da revista Life (situação que Paul soube o momento certo de virar “ele”: negociou cliques exclusivos em troca do registro de seu momento de fúria).

Paul McCartney se recusou a falar para o livro, mas Kozinn e Sinclair fizeram a lição de casa. O Legado traz relatos surpreendentes sobre o processo que levou os Beatles à dissolução, detalhes minuciosos sobre a gravação dos primeiros discos dos Wings e até momentos engraçados de como Paul e sua mulher, Linda, reagiram às primeiras críticas ao seu trabalho (o que inclui um determinado produto saído dos intestinos de Stella, hoje uma estilista renomada, entregue para a jornalista de um semanário musical). E enquanto o segundo volume não chega às livrarias brasileiras, o fã e jornalista de 15 anos atrás pergunta: “Paul, você escutou que eu tocava Coming Up para o meu filho?”

Sérgio Martins

Jornalista e crítico musical

https://www.estadao.com.br/cultura/sergio-martins/o-dia-em-que-paul-mccartney-me-ligou-e-o-novo-livro-sobre-ele-que-ja-e-um-dos-meus-preferidos/?srsltid=AfmBOoqaXyIAHHmF2kckV15F8dzrdXKBJtbiiCQ2TTKPDDEWf

 

 

 

Sobre o Autor

Allan Kozinn foi um crítico musical e repórter cultural do New York Times de 1977 a 2014, onde escreveu principalmente sobre música clássica. Nessa função, ele entrevistou Paul McCartney várias vezes e o viu se apresentar em uma grande variedade de configurações e locais ? desde cantar com um microfone de mão no Lonestar Roadhouse, tocar clássicos do rock no Cavern, em Liverpool, e se apresentar em pequenos salões como o Ed Sullivan Theater e o Highline Ballroom, até shows completos no Madison Square Garden e no Yankee Stadium. Atualmente, ele contribui regularmente para o Wall Street Journal, o Washington Post e outras publicações. Ele deu cursos na Juilliard School e na New York University (incluindo um curso sobre os Beatles nesta última) e escreveu sete livros, entre eles The Beatles?From the Cavern to the Rooftop (1995), Got That Something! How The Beatles’ ‘I Want to Hold Your Hand’ Changed Everything (2013), The New York Times Essential Guide?Classical Music (2004).

Adrian Sinclair estudou cinema na University of Wales, Aberystwyth, e fez um estágio na ITV em Yorkshire, Inglaterra, onde aprendeu seu ofício como editor de documentários. Ele trabalhou para quase todas as principais emissoras do mundo, incluindo BBC, ITV, Sky, Channel 4, National Geographic, Discovery e MTV. Além de receber reconhecimento por seu trabalho da Royal Television Society na Inglaterra, o documentário de Adrian de 2010 Stealing Shakespeare (BBC/Smithsonian) foi indicado ao Emmy de Melhor Documentário.

Detalhes do produto

Editora Belas-Letras

Data da publicação 10 novembro 2025

Edição Allan Kozinn

Idioma Português

Número de páginas 784 páginas

ISBN-10 6555374683

 

PS: A editora já anunciou para outubro de 2026 a publicação do volume 2 da série e que cobrirá os anos de 1973-1980. Veja capa abaixo.

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