O farol

“O Farol”, de Robert Eggers (2019)

“A Bruxa” (2015), estreia de Eggers na direção, era austero e elegante e colocou o nome do diretor no radar dos críticos e dos fãs de terror, por isso mesmo “The Lighthouse” (no original) era esperado com ansiedade. Esse novo filme opta por explorar outros caminhos, não menos instigantes, como a fantasia, o surreal e o grotesco. Para isso, Eggers conta com uma fotografia em preto e branco, com a tela quase quadrada, em formato 1.19:1, e com uma produção de som barulhenta, em que o som do farol, das ondas e dos cantos das sereias atordoam o espectador. Para completar essa construção, as figuras de Willem Dafoe e Robert Pattinson aparecem como dois personagens solitários e isolados no tal farol, criando assim relação necessária para que os embates e conflitos do filme se formem. Esse isolamento e essa relação forçada são o mote para que Eggers construa um filme que joga com o espectador: os limites do real se perdem dentro do filme, há momentos em que nos questionamos: isso é real? Essa história que ele está contando aconteceu dentro do arco desse personagem ou é uma alucinação? É como se nós mesmo fôssemos atordoados pela maresia que embrenha os dois homens. Nisso entramos em um tour de force maluco que envolve violência, sexo e medo. Robert Eggers cria um filme que dialoga com os momentos mais esquisitos de Ingmar Bergman, como em “A hora do lobo” (1968) e “Através de um espelho” (1961), casando surrealismo e psicanálise. “O Farol” acaba por burlar as barreiras dos gêneros cinematográficos e se transborda em um filme cheio de simbolismos que tateia questões como a loucura e a paixão.

( Fonte. www.screamyell.com,br)

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