Joias brutas

“Joias Brutas”, de Ben Safdie e Josh Safdie (2019)

Lançado no Brasil pela Netflix, “Uncut Gems” (no original) pode assustar quem der play no filme apenas pelo nome de Adam Sandler no cartaz. Inesperado dentro da carreira do ator, o filme é um passo seguro dentro da obra dos irmão Ben e Josh Safdie, que lançaram o excelente “Bom Comportamento” em 2017 e que aqui expandem o universo alucinado de seus personagens. Ignorado pelo Oscar, Sandler é a grande força do filme ao alcançar uma atuação esplendorosa (que lembra sua parceria com Paul Thomas Anderson no ótimo “Embriagados de Amor”, 2002), dando conta de um personagem complexo e cheio de meandros. Howard (Sandler) é um vendedor de joias que tem contato com atletas e celebridades; entre negociatas, apostas e uma opala negra bruta, o personagem parece se perder em uma espiral complexa. O público é tragado por esse círculo em que Howard se mete, para isso seguimos uma câmera veloz, que mexe pra lá e pra cá, enquanto acompanhamos diálogos altos, com um monte de homens a levantar a voz e gritar como crianças birrentas. Além de Sandler, se destacam as atuações de LaKeith Stanfield (de “Desculpe te Incomodar” e “Corra”) e Idina Menzel (de “Frozen”) e a grande surpresa, a estreante Julia Fox, que domina a tela como a amante de Howard. Além de toda a gritaria dos personagens, o frenesi de “Joias Brutas” é completado pela trilha labiríntica de Daniel Lopatin (a.k.a. Oneohtrix Point Never), que amplifica a experiência do filme, levando-nos para lugares mais estranhos e inesperados. “Joias Brutas” é uma experiência poderosa para quem se deixa levar por Sandler e os irmãos Safdie, de todo modo, recomendamos que mantenha um chá calmante sempre à mão.

( Fonte: www.screamyell.com.br)

Girohost - Soluções em Tecnologia