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10 de Setembro de 2010
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Image Em “O Sétimo Continente” (Der Siebente Kontinent, 1988), seu primeiro filme, Michael Haneke contava a história de uma família que comete suicídio. “71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso” (71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls, 1994) narra diversas historietas ...  por Marcelo Costa ( Leia mais) A Fita Branca, Michael Haneke
Por Marcelo Costa

Em “O Sétimo Continente” (Der Siebente Kontinent, 1988), seu primeiro filme, Michael Haneke contava a história de uma família que comete suicídio. “71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso” (71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls, 1994) narra diversas historietas de pessoas normais que se reúnem, ao acaso, sob a alça de mira de um jovem de 19 anos, que assassina a todos na noite de natal. O obrigatório “Violência Gratuita” (Funny Games, 1997/2007) é uma sessão de tortura, da qual o espectador é cúmplice. Haneke é polêmico e não quer ver você sorrindo.
Em “A Fita Branca”, o diretor austríaco se fecha em um vilarejo alemão às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Neste microcosmo da sociedade vivem a família de um barão, que emprega dezenas de trabalhadores em sua fazenda, um médico viúvo, pai de um casal de filhos, a família de um pastor e um jovem professor, que narra uma série de acontecimentos que sacudiram a paz do vilarejo. “A Fita Branca” ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, e também sairá do Oscar com uma – merecida – estatueta dourada.
A seqüência de pequenas tragédias começa quando o médico do vilarejo está voltando para casa, e seu cavalo tropeça em uma linha de arame imperceptível. O tombo quase tira a vida do homem, que é levado para a cidade onde passa semanas tentando se recuperar do acidente. Policiais tentam buscar provas, mas não encontram nada, nem o fio de arame que possa ter causado o acidente. O acidente é deixado de lado devido a outra tragédia, e elas se sucedem sem ligação aparente enquanto, paralelamente, o professor conta uma inocente história de amor do começo do século passado.
E é isso, mas se tratando de Haneke, nunca é apenas “isso”. O nome do filme faz alusão às fitas brancas que pais colocavam em seus filhos após pecados cometidos para que estes se lembrassem de sua inocência e pureza. Da mesma forma, “A Fita Branca” é, aparentemente, um filme puro. A esplendorosa fotografia em preto e branco e a opção por closes nos rostos sem culpa nem remorso de seus personagens obrigam o espectador a vasculhar a origem do drama, a cavar calmamente a procura da raiz da maldade que é exibida na tela, e é nesse ponto que Michael Haneke alcança o sublime.
Em “A Vila” (The Village, 2004), o cineasta indiano M. Night Shyamalan contava a história metafórica de um grupo de pessoas de um vilarejo cuja rotina cheia de regras era pontuada por aparições de assombrações. O foco da câmera de Shyamalan era o governo de George Bush, considerado por muitos a raiz da maldade na sociedade moderna. Em “A Fita Branca”, os incidentes que movimentam o vilarejo desembocam no nazismo, mas isso é conseqüência, e não a causa, que é o que mais interessa ao cinema de Haneke: o culpado, para ele, são os pais, é a religião, é a doutrinação cega.
A brilhante exposição de fatos que Haneke exibe na tela é uma aula para o mundo moderno. A revolução – e o fascismo – começa em casa. É no âmbito familiar que se desenha a nova sociedade – e se constrói/destrói personalidades. “O homem nasce puro. A sociedade o corrompe”, escreveu Rousseau. Pais são exemplos para os filhos. Como explicou Haneke em entrevista para a revista New Yorker, “em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino”. Ele não está falando – apenas – da Alemanha, de Hitler e do nazimo em “A Fita Branca”. Está falando da vida… e precisa ser ouvido. Haneke quer sim ver você sorrir, mas o mundo não deixa.
( Artigo gentilmente cedido por www. http://www.screamyell.com.br/)

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